Holanda: ameaçada pelas próprias armas?

rnw.nl, 24 Novembro 2010, por John Tyler - Quatro fragatas de fabricação italiana deixam o porto venezuelano na cidade de Puerto Cabello no meio da noite. Elas lideram uma frota que inclui embarcações de desembarque anfíbio e navios de serviço, e seguem para uma invasão às ilhas Leeward, pertencentes ao Reino dos Países Baixos. Tem início uma ‘Guerra das Malvinas’ holandesa.

[...]

Mas o pesquisador Frank Slijper, do grupo Stop the Weapons Trade (pare o comércio de armas) diz que o governo holandês viola suas próprias regras: “Realmente acreditamos que em muitos casos não se lida bem com os critérios que a exportação de armas deve atender e que as regras às vezes são usadas para acobertar”, comenta.

A organização Stop the Weapons Trade divulgou um relatório detalhando exemplos de países da União Europeia que violam as regras da UE. A posição comum da UE é que a negociação de armas não deve ameaçar a estabilidade regional nem deve ocorrer a custo do desenvolvimento sócio-econômico.

No caso da Venezuela, diz Slijper, o contrato com a Thales poderia ameaçar a estabilidade regional ao elevar a capacidade militar da Venezuela acima de outros países da região.

Mas a venda transgride um princípio ainda mais fundamental: não arme seus potenciais inimigos. “É uma situação muito estranha porque a Holanda, neste caso, fornece armas que com o tempo podem se voltar contra ela.”

[...]

http://www.rnw.nl/portugues/article/holanda-ameacada-pelas-proprias-armas